• Clarissa Ferreira

A hora de partir


Todo bom viajante precisa saber a hora de partir.

Precisa também saber dizer adeus com serenidade e com a certeza de que o mundo é grande, mas não é infinito. Reencontros acontecem, coincidências existem, caminhos se cruzam a todo instante.

Acima de tudo, um bom viajante precisa estar grato pelo que foi e ansioso pelo que vem. O saudosismo da aventura que ficou para trás é uma armadilha. Quem ama a estrada precisa acreditar que a melhor viagem de todas ainda está por vir.

Digo isso porque, faltando semanas para embarcar de volta ao Brasil, o que mais me perguntam é o quão triste estamos por deixar para trás a nossa vida em Singapura.

Triste é uma palavra que, definitivamente, não define o atual momento da nossa jornada. Foram cinco anos tão intensos que faltam palavras para descrever a experiência que foi fazer da Ásia a nossa casa. Singapura foi nosso porto seguro, sempre organizada e eficiente, mas a estrada foi a verdadeira mãezona desse casal aqui, realizando sonho atrás de sonho, nos levando a lugares difíceis de esquecer.

Tristeza não define nada do que eu sinto ao me despedir do Oriente. Me sinto grata por cada esquina por onde tive a chance de passar, sortuda por cada sorriso que recebi das pessoas mais amáveis do planeta. Meu coração transborda de felicidade quando penso em cada praia e cada por do sol. Vou lembrar sempre com carinho de cada scooter caindo aos pedaços, cada estrada empoeirada, cada criança que acenou a esses dois turistas perdidos. Levo comigo os cheiros, os sons e a irresistível bagunça das grandes metrópoles asiáticas.

Como posso ir embora triste sabendo que saio daqui entendendo o mundo de maneira mais clara, conhecendo culturas ricas e milenares, religiões das quais eu nada sabia e capítulos da história que nunca foram matéria das minhas provas na escola.

Amigos, não se preocupem. Não estamos tristes. Estamos extasiados! Imensamente gratos por tudo o que vimos e vivemos. Ansiosamente à espera do que vem por aí.

Aos velhos amigos, nos aguardem! Aos novos, quem sabe não encontramos finalmente em terras tupiniquins? ;)

Que venha 2018!

(Hoi An, Vietnã)


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