• Clarissa Ferreira

Casando na Tailândia: um sonho possível


Assinamos os papéis no cartório declarando a nossa união estável, tomamos um suco de melancia na lojinha em frente e seguimos, cada um para um lado, rumo a mais um dia de trabalho. Esse processo burocrático e sem romantismo foi necessário para podermos embarcar, duas semanas depois, rumo a uma nova vida do outro lado do mundo. Quando pintou uma oportunidade de trabalho para o André em Cingapura, estávamos morando juntos há poucos meses e esse dia no cartório foi o mais próximo de um casamento que chegamos a ter antes de viajar.

Nos mudamos para cá de mala e cuia postergando qualquer possibilidade de realizar uma celebração formal no Brasil, mas a verdade é que nunca esteve nos nossos planos uma festa tradicional com igreja, padre, salão de festa e rios de dinheiro investidos. Acontece que, com os anos longe de casa se acumulando, foi crescendo na gente uma vontade de celebrar nossa união, a felicidade da nossa vida a dois! Foi então que tomamos uma decisão arriscada que poderia levar ao melhor evento das nossas vidas ou ao fracasso total: casar na Tailândia!

(FOTO: Danielle Teixeira)

Por incrível que pareça, casar na Tailândia resolveria nossa principal questão: custo! Quem já casou no Brasil sabe o preço exorbitante de cada ítem da festa, do fotógrafo ao bem-casado. Pois, pasmem!, casar no exterior é tão mais barato, mas tão mais barato, que eu sugiro uma breve pesquisa de preços para já acreditar na diferença gritante. No nosso caso, porém, uma cerimônia na Tailândia sairía ainda mais em conta por vários outros fatores. Primeiro, nos permitiria realizar o casório do jeitinho que sempre sonhamos: na beira da praia, pé no chão, decoração simples e rústica e comida local. Segundo, a lista de convidados seria "minimalista", afinal não é todo mundo que pode dar um pulinho ali na Tailândia para um casamento, né? (Faz festa no Brasil e fica chatéeerrimo não chamar aquele primo distante da vizinha da sua mãe…)

O local escolhido foi a ilha de Koh Lipe, no sul do país, mais precisamente no hotel Castaway, um eco-resort bem rústico mas com a melhor energia - e a melhor vista - do mundo! Com apenas 4 meses de antecedência, mandamos um aviso aos nossos convidados em forma de vídeo que eu mesma, que sou fotógrafa e videomaker, produzi. Também montamos por conta própria um site com todas as dicas para o planejamento da viagem até aquela pequena ilha da qual ninguém nunca havia ouvido falar. Até aí, gasto zero. Estávamos indo bem!

(Saiba mais sobre Koh Lipe: "O paraíso escondido da Tailândia")

Ao longo dos meses seguintes, fui acertando com o pessoal do hotel os detalhes da cerimônia e da festa. Eles seriam responsáveis pela decoração e o prometido era bem básico, mas suficiente: flores naturais, luminárias, móveis de madeira. O lugar que estaria a nossa disposição também era o bastante: a pequena praia na frente do hotel, o barzinho na areia e a área ao lado para a mesa de jantar. A comida fazia parte do pacote que incluía apenas pratos e petiscos tailandeses. Como já havíamos nos hospedado lá outras vezes, sabíamos que a cozinha era de primeira e, após algumas mudanças para deixar o cadápio com mais opções vegetarianas, batemos o martelo. Faltando dois meses para a data marcada, estava tudo pronto e acertado com o hotel. Os gastos continuavam baixíssimos.

Com o tempo que me restou, me joguei na missão de dar um toque pessoal à decoração. E o que não faz o Pinterest acompanhado de uma boa taça de vinho? Com milhões de boas ideias na cabeça, garimpei algumas lojas especializadas aqui em Cingapura para realizar minhas aspirações decorativas "DIY". Para reduzir ainda mais os gastos, acabei comprando grande parte dos ítens de decoração no site Ali Baba e as encomendas chegaram em menos de dez dias (se você está no Brasil, nem pense nessa possibilidade, pois a entrega pode levar meses!).

(FOTOS: Danielle Teixeira)

As semanas foram passando e os convidados, aos poucos, começaram a confirmar presença. Amigos no Brasil e também espalhados pelo mundo que não perderiam por nada o casamento e nem a chance de viajar pela Ásia. Como era de se esperar, porém, pessoas muito queridas não poderiam vir e foi aí que colocamos em prática a regra número um da nossa empreitada de casar do outro lado do mundo: compreender a aceitar todas as ausências! Por mais triste que seria não tê-las conosco, sabíamos que viajar para a Tailândia não era uma possibilidade pra elas e ficamos em paz com a decisão de todos.

(Tem planos de ir a Phi Phi? Saiba mais sobre "Como dormir em Maya Bay?")

(FOTO: Danielle Teixeira)

O momento da viagem chegou e conseguimos reunir um total de 32 convidados, entre amigos e familiares, um número bem maior do que esperávamos. Ficamos todos hospedados no Castaway por cinco dias curtindo tardes lentas sob o sol com cervejinha na mão e pé na areia. A moleza acabou no dia do casório, já que todos tinham tarefas definidas: uns ficaram responsáveis pela decoração, outros estavam planejando a música, teve quem organizasse o after party no bar ao lado e quem fosse ajudar a noiva a se arrumar. Tudo feito com muita criatividade, improviso e bom humor.

(FOTOS: Danielle Teixeira)

Ao optarmos por uma festa leve e sem formalidades, fizemos nossos amigos se sentirem bem-vindos a participar de todas as etapas, o que tornou esse dia ainda mais especial. Nossa fotógrafa, Danielle Teixeira, é também nossa grande amiga, que fez um trabalho lindo e delicado! A música da cerimônia ficou por conta de um amigo, um banquinho e um violão. O hotel nos ofereceu monges budistas locais para realizar a cerimônia, mas achamos mais apropriado convidar um casal de amigos para essa tarefa tão pessoal e não nos arrependemos. Eles celebraram nossa união com palavras tão sensíveis e certeiras que só alguém que nos conhece tão bem seria capaz de dizer.

(FOTO: Danielle Teixeira)

Assim, o dia seguiu com um momento especial atrás do outro até terminar com todo mundo dançando até o chão no bar ao lado do hotel que, por ser baixa temporada de turismo, aceitou nos receber para uma festinha privê, onde pudemos deixar nossa música rolar até amanhecer. Hoje, posso dizer que a coisa mais especial dessa ideia maluca de casar do outro lado do mundo foi reunir tantas pessoas especiais, amigos de fases diferentes da nossas vidas - muitos sequer se conheciam - em um lugar como Koh Lipe. Fazer nossos amigos se tornarem amigos entre si foi o maior legado do nosso casamento e de onde surgiram as melhores lembranças desses dias. Com um orçamento baixíssimo, realizamos o casamento dos nossos sonhos: simples, verdadeiro e com a nossa cara.

(Sonha em conhecer Tailândia? Inspire-se: "Episódio 14 - Praias na Tailândia")

(FOTO: Danielle Teixeira)

Àqueles que pensam em realizar um casamento fora do Brasil, insisto que pesquisem os preços, vejam a grande diferença e não desistam da ideia! Lembrando que é sempre possível baixar ainda mais os custos livrando-se de formalidades e processos que só fazem encarecer a festa. Convide seus amigos talentosos e criativos a botar a mão na massa, você vai se surpreender como todos adoram ajudar. Abra espaço para o improviso, deixe a bridezilla bem longe e veja como dá pra cortar mais um montão de gastos. Vestido de noiva? Não precisa ser comprado em lojas especializadas. Decoração? Internet está aí para te dar toda a inspiração necessária, seja qual for seu estilo. Maquiagem e cabelo? Tutoriais do youtube ensinam a fazer tu-di-nho passo a passo. Vão tentar te convencer de que isso é loucura, de que você PRECISA de uma cerimonialista, que o bem casado NÃO PODE FALTAR e que a decoração TEM QUE ESTAR toda planejada com uma vida de antecedência. Quer saber? A festa é de vocês dois e de mais ninguém, então façam o que der na telha e vão ser felizes!

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Clarissa Ferreira é roteirista e criadora da webserie "A Culpa é do Fuso" e há três anos e meio vive em Cingapura com André, seu namorado. Ops, marido!

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